domingo, maio 1

Chuva de verão

De repente
Todos os gris deslumbram
O horizonte torna-se íntimo do oceano
E o meu olhar já não vislumbra ao longe
Entre o céu e a terra os cheiros me visitam
Cheiro de maresia
E de antecipação da tarde que se faz outono.

Renitente, o sol tenta
Recolorir a paisagem em tons violetas e quentes
Descortina-se entre brancos carneiros de nuvens
Testemunho da vida  que lá fora corre apressada.

É um caso de amor apressado entre o verão e a cidade.

A tarde sucumbe ao tempo e
Por entre as cores do arco
Íris de Deus em lamento chora
Molhando o asfalto e os pensamentos meus.

SEM PALAVRAS

A voz acende e  insinua-se
entre as paredes do pensamento.


É vício falar
no entanto
intento ressoa  garganta adentro.


Sucumbe a palavra ao gesto mudo
grita o sentimento
e ao surdo a dor escapa.


A morte,  a palavra talha
somente o silêncio vive.

sábado, abril 30

Afoite


Ousei ser madrigal
e macerar as sementes
trazidas pelos ventos matinais.

Ousei malabares
e deitei-me sob o céu
a contar estrelas sem pre_ocupações.

Caminhei sem olhar para trás
e para as in_verdades
fechei os olhos  ciente do que não vi.

No meu outro lado
deixei somente o amor
tomar forma e andar sem aviso.

No toque entre plumas
aspirei todos os perfumes
mesmo os mais efêmeros.

Ousei ser feliz.
Fatima Mota