quarta-feira, julho 13

Tigresa

Como um gato
tinha sete vidas
e ligeiros saltos.

Transitava sem medos
e de pelo eriçado
pelo toque do vento norte.

Compunha a sua história
entre parcos olhares
e discretos calendários.

segunda-feira, julho 4

Prosaico

Viajo sob as bênçãos das estrelas


Anéis de Saturno escondem luas cheias


E me trazem á terra prometida.



 Trafego sob o manto da madrugada indolente
Os meus pés, descalços não ferem a poesia
E os meus dedos são reféns da pena que enseja o verso.

Tenho abraços que são laços
Furta cor, furta dor
E de tão lilás confundem-se
Antes do sol se por. 

Tomo assento nos teus desenhos
De um tempo rei sem muralhas
Sem relógios. Nos vidros fractais
Quebro a cabeça, sem cortes de navalhas.
 

Sem mochilas, sem avisos
Andarilho sou, vícios fatais
Indícios da prosaica poesia
Que vem de mansinho acalentar meus ais.

Fátima Mota




domingo, julho 3

Giros e rodopios


Gira feito carrossel
Uma  abelha
Em busca  de mel.

Move-se ao redor do sol
No belo jardim
Um velho girassol.

Rodopia  um beija-flor
A colher o pólen
E sugar a flor.

Entre beija-flores
E antigos girassóis
O sol desata  a  noite.

Há um tempo curto
Que na saudade arde
E habita um guardião
No vão da clara_idade

Na cama do meu peito
Um amor espera
Beijos violetas
Perdidos entre heras.

Fatima Mota